SITUAÇÃO VERÍDICA: ETETOSXESUALIDADE
Meus queridos leitores, quanto tempo! Sei que já faz um bom tempo que não atualizávamos nosso blog. Porém, hoje começamos uma nova etapa, um ano novo e com novas expectativas e perspectivas.
Ao ler o título deste artículo, vocês certamente pensaram que estou viajando na maionese. Pois, eu também acreditei que estivesse quando me aconteceu o seguinte.
Como temos várias redes sociais e costumo compartilhar diversos artigos ou posts, que referem a tudo o que possamos refletir, dialogar, ou gerar de questionamentos sobre a sexualidade nos dias atuais, se me ocorreu postar uma história de vida relativa à comunidade LGBTQ+: amor aos 70 anos entre duas mulheres, (que ao meu ver era um exemplo de como nossa percepção com relação à nossa identificação com o gênero é uma construção individual-social e que pode ser modificável ou pelo menos questionada ao longo de toda nossa vida -não quero dizer com isto que todos o façam, somente que pode acontecer e que isso não seria uma aberração, certo?-).
Bem, postada a história de duas mulheres maravilhosas, que depois de terem tido suas respectivas vidas como esposas, mães, e tal, se encontraram com 70 anos e visualizaram uma na outra, um amor que trascende o formato físico, o gênero, a idade, a saúde, mas que foca na confiança, na cumplicidade, no carinho, cuidado, no amor além da genitália -como costumo frisar-.
Fiquei satisfeita, mas em um momento em que verifiquei as notificações, encontrei uma em particular: "isto é o que levará a humanidade a sua extinsão" -mais ou menos isto era a intenção da mensagem, aliás, de alguém que nunca tinha interagido no meu perfil.
Esse comentário, me deixou com muitas perguntas, e como não podia ser de outra forma, no privado, lhe encaminhei a pergunta -não sem antes fazer uma excursão no perfil desta pessoa, que parecia ter uma ideia muito clara com relação à comunidade LGBTQ+, e ao conceito de gênero-. O que me deixou pasma, foi o fato de que o feed deste ser humano em questão, mostrava de forma reiterada, posts humilhantes à mulheres, incluiendo vídeos também questionáveis enquanto a forma de desejar humilhá-las. E claro, isso é um fato que não pude passar por alto.
Meu questionamento a este homem, foi específicamente em relação, a como ele tinha chegado a conclusão de que um relacionamento não binário poderia levar à extinsão da raça humana. E também a apreciação -muito pessoal-, que desde o psicológico, alguém que humilha as diversidades de forma contínua e agressiva, o único que demonstra é uma ideia ou sentimento de não poder se encaixar na sociedade de forma sincera e plena, e que a maneira que encontra de tapar o sol com a peneira, é humilhar aquilo que deseja negar em si mesmo.
A resposta que recebi -e acreditem, nem pensava receber resposta alguma-, foi realmente triste e preocupante ao mesmo tempo.
Vou fazer meu melhor para resumir a questão:
1) Ele mencionou que não era "exenofóbico" -o que de entrada me permitiu perceber que seu grau de conhecimento era bem inferior ao necessário para fazer uma abordagem com fundamento. Vejam que nem o vocabulário era conhecido por esta pessoa.
2) Argumentou que comunidades LGBTQ+ (mas sequer vou mencionar o nome real com o qual as denominou), eram "massas sujas, integradas por pessoas frustradas, frágeis, confusas, com transtornos de personalidade, negados a uma sã evolução humana, incapacitados de integrar lugares de decisão na sociedade, e de fato seres inferiores. Uauuuu....pareceu até um discurso de Hitler com relação à raça aria como superior frente a todas as demais.
3) Que somente os "etetosxesualez" -o mencionou em espanhol- (seria "etetosxesuais"), seriam imprescindíveis para a sã evolução da nossa espécie.
Eu li este resumo, pensei por mais de um dia, porque não podia acreditar no que estava lendo. Não era absurdo, era....bom até hoje não sei que nome atribuir a este post!!!
Mas, decidi dialogar, com a línea de raciocínio, de que "EU", -que me considero parte do gênero não binário-, com formação terciária, poderia estar dialogando com ele, e mesmo assim, possuir todos esses atributos somente por não ser "etetosxesual", -qual seria para ele a explicação-.
Sugeri que também procurasse no dicionário as palavras: heterosexual e "etetosxesual" -e que se ele encontrasse a segunda, que por favor me avisasse-.
Evidentemente que o discurso estava impregnado claramente por ideias muito além da educação sexual ou sequer da própria experiência sexual, mas sim de correntes ideológicas e políticas que desejam impor um paradigma castrante e punível, a todo aquele que transgreda a normoafetividade.
Mas aqui, -além de todas as barbaridades lidas-, foi que optei por brincar, por assim dizer.
Enviei para este "camarada", duas fotos sexys, para ver sua reação...que de fato não demorou nem muitos segundos, sendo a resposta: "EPAAAAAA....."...(faltou somente o emoji da carinha salivando).
Então, muito sarcástica respondi: "que pena, pensei em compartilhar outra, porém, como sei que sou um ser sujo, não evolucionado, frustrada, frágil, confusa, com transtorno de personalidade, e que não pertenço a sã evolução da espécie, sei que a foto que lhe mandaria não iria lhe gostar".
Qual não foi minha surpresa ao ler a continuação: "não mande por favor....é que sua bunda me deixa com muita tesão!".
Conclusão: Quanto uma imagem vale as vezes certamente, mais do que mil palavras, ideologias, e fanatismos. Tudo o que ele renegava da minha pessoa, foi simplesmente desfeito por apenas uma foto...uma foto que aliás, lhe dava a chance de olhar uma bunda, de uma pessoa que ele minutos antes, tinha classificado numa "etnia" (sim, porque não mencionei todos os disparates conceituais), de pessoas inferiores, somente por não serem "etetosxesuais". Ou seja, discursos de ódio, fanatismos, muitas vezes nem pertencem ao indivíduo que as repete como papagaio. Pertence a mera necessidade que esse indivíduo acredita ter, de se encaixar numa sociedade "confusa, frágil, e frustrada", por conta dos tabús, preconceitos e crenças limitantes intergeneracionais, ainda vigentes.
Quanto cabe à nós, todos os dias, colocar sobre o tapete, temáticas para refletir, em vista de gerar mais tolerância, e convivência saudável nesta que chamamos sociedade global, e avançada!!!
Abraço para todos!!!